

Nesta entrevista concedida ao Blog da Folha, a principal voz de oposição em Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), avalia que o primeiro ano do governo Dilma Rousseff (PT) foi marcado pela “luta fraticida” na base governista, de olho na ocupação dos ministérios. O peemedebista aponta a corrupção desenfreada na administração pública como o ponto negativo dos 12 primeiros meses de gestão, que levou à queda de sete ministros em menos de seis meses. Jarbas declara que Dilma vive o dilema do “governo de continuísmo”, ficando à sombra do ex-presidente Lula. Entretanto, o parlamentar aponta, como acerto do governo, o reconhecimento da importância e do papel que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na história política-administrativa do país.
Senador, qual a sua avaliação em relação ao primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff?
Não foi um ano fácil para a presidente, com os escândalos seguidos de corrupção. Por mais que os governistas e o PT neguem, ela recebeu uma “herança maldita”. Mas ela sabia de tudo, pois ocupou uma posição-chave dentro do Governo. A verdade é que os ministros caíram por causa da luta fratricida que ocorre dentro da base governista e pelo papel fiscalizador da Imprensa e de instituições como o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União. Também foi um ano no qual ficou claro que a situação da economia já não é mais a mesma e que a crise internacional é maior e pode ter efeitos mais sérios sobre o Brasil.
Quais os pontos altos e baixos (erros e acertos) que se podem observar nesses 12 primeiros meses?
Eu aponto como o principal acerto da presidente a mudança na postura no exercício do cargo e também o reconhecimento da importância do papel do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que Lula e o PT quiseram jogar na lata do lixo da História. Dilma quebrou essa lógica perversa de que o Brasil começou em 2003. O ponto baixo realmente é a corrupção desenfreada no âmbito do Governo, que levou à queda de sete ministros e ameaças e suspeitas contra outros tantos. A presidente até pareceu que realmente tinha compromisso com a chamada “faxina ética”, mas logo desistiu e passou a ser levada pelos acontecimentos, pelos fatos divulgados pela Imprensa.
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