domingo, 18 de dezembro de 2011

Jarbas: "Dilma vive um governo de continuísmo"


Nesta entrevista concedida ao Blog da Folha, a principal voz de oposição em Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), avalia que o primeiro ano do governo Dilma Rousseff (PT) foi marcado pela “luta fraticida” na base governista, de olho na ocupação dos ministérios. O peemedebista aponta a corrupção desenfreada na administração pública como o ponto negativo dos 12 primeiros meses de gestão, que levou à queda de sete ministros em menos de seis meses. Jarbas declara que Dilma vive o dilema do “governo de continuísmo”, ficando à sombra do ex-presidente Lula. Entretanto, o parlamentar aponta, como acerto do governo, o reconhecimento da importância e do papel que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na história política-administrativa do país.

Senador, qual a sua avaliação em relação ao primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff?

Não foi um ano fácil para a presidente, com os escândalos seguidos de corrupção. Por mais que os governistas e o PT neguem, ela recebeu uma “herança maldita”. Mas ela sabia de tudo, pois ocupou uma posição-chave dentro do Governo. A verdade é que os ministros caíram por causa da luta fratricida que ocorre dentro da base governista e pelo papel fiscalizador da Imprensa e de instituições como o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União. Também foi um ano no qual ficou claro que a situação da economia já não é mais a mesma e que a crise internacional é maior e pode ter efeitos mais sérios sobre o Brasil.

Quais os pontos altos e baixos (erros e acertos) que se podem observar nesses 12 primeiros meses?

Eu aponto como o principal acerto da presidente a mudança na postura no exercício do cargo e também o reconhecimento da importância do papel do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que Lula e o PT quiseram jogar na lata do lixo da História. Dilma quebrou essa lógica perversa de que o Brasil começou em 2003. O ponto baixo realmente é a corrupção desenfreada no âmbito do Governo, que levou à queda de sete ministros e ameaças e suspeitas contra outros tantos. A presidente até pareceu que realmente tinha compromisso com a chamada “faxina ética”, mas logo desistiu e passou a ser levada pelos acontecimentos, pelos fatos divulgados pela Imprensa.

Dá para considerar que o Governo Dilma é de continuidade ou a presidente já conseguiu incorporar uma identidade própria a administração?
A presidente vive esse dilema. Mas a verdade é que cada pessoa é uma cabeça, tem um estilo próprio, individual. Sinceramente não acredito que ela faça nada de repercussão sem ouvir o Lula. Este é um governo de continuidade, mas também de continuísmo de muita coisa ruim que ocorria na gestão anterior.

Os sucessivos escândalos de corrupção – que levaram as demissões de ministros no Governo Federal – podem ser considerados uma “herança” do Governo Lula? E a presidente Dilma continua, no que muitos chamam, na “sombra” de Lula?
É como disse no início da entrevista: esses problemas foram herdados do ex-presidente Lula, que aumentou o número de ministérios, inchou a máquina pública e loteou esses espaços entre os partidos aliados. Mas a presidente Dilma tinha noção disso, pois ela ocupava uma função-chave no Governo, foi apresentada como a coordenadora de toda a administração. Ela é corresponsável. Isso é um fato. Dilma deve prestar contas à Nação.

Disponível em: www.blogdafolha.com.br

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