por Vladimir Lachance
O apostolado com as moças de nossos tempos e o papel da graça
Que belas são as histórias das conversões das mulheres romanas! Quantas boas mães, religiosas, consagradas e leigas, deram à nascente civilização católica!
As moças (e os rapazes) de nossos tempos vivem situação análoga e nós devemos ter isto bem claro. É evidente que não devemos cair na falsa caridade de ver com bons olhos os atos maliciosos e mesmo pecaminosos destas pessoas: não se trata disto! O pecado deve sempre ser abominado, e sempre deve-se fugir dele.
Em geral, quando um rapaz considera-se em condição de procurar uma moça para contrair matrimônio, a regra a se adotar é procurar alguém que tenha maior disposição para aceitar os princípios que a Igreja determina. Obviamente, quem melhor se adequará a isto é uma católica de boa formação, o que infelizmente é – na expressão de Santa Teresa D’Ávila – “mosca branca”, “bicho raro” hoje em dia.
Alguém uma vez me disse: “as pessoas que procuram matrimônio hoje em dia têm que colocar uma coisa na cabeça: ninguém vem pronto para nós! É difícil imaginar que vamos encontrar aquela moça que já tem o catecismo todo na cabeça, que conhece exatamente o seu papel na família, que já é plenamente modesta e livre dos ransos de sensualismo de nossa época. Provavelmente o processo vai se dar em conjunto, e mesmo o rapaz precisará conhecer muitas coisas novas sobre o papel de esposo, pai de família e provedor do lar. Portanto, é preciso espírito de confiança e paciência!” É a mais pura verdade!
Se formos olhar o mundo ao redor, pelo que as pessoas são e pelo que aparentam ser, parece que a noiva casta nunca aparecerá e que o melhor será viver como leigo celibatário – os mais desesperados chegam até a “inventar” uma vocação sacerdotal temporária.
Mais uma vez tenhamos calma! Não esqueçamos da graça, da oração, da intercessão dos santos, e, acima de tudo, da Medianeira de Todas as Graças, Nossa Senhora! Ou seja, devemos ter a clareza da vida sobrenatural, que a tudo transforma!
Sobretudo Rezar!
O primeiro apostolado que o rapaz deve fazer em vista de encontrar a futura esposa é o da oração. Recomendo vivamente que se empenhe a rezar o Rosário diariamente nesta intenção, pedindo a Nossa Senhora que lhe dê graças para discernir a fiel companheira e para que dê graças para a moça, para que possa ouvir a voz da Divina Providência que a encaminha para a felicidade matrimonial. Além do Rosário, pode-se fazer visitas regulares ao Santíssimo Sacramento, e em todos os momentos do dia, oferecer algum pequeno sacríficio nesta intenção. Eis o começo: mesmo que não se saiba ainda quem é a moça em questão, Nossa Senhora já o sabe e decidirá o momento certo do encontro!
Ainda em espírito de oração, procurar com vigilância uma boa pretendente
Como se procura uma noiva? É preciso ir a algum lugar específico? Ou procurar conversa com todas as moças que pareçam interessadas? Não. Quando dizemos “procurar”, não queremos dizer que o rapaz deve ficar indo de um lugar a outro como se estivesse atrás de algo que perdeu, mas sim apenas que esteja atento às melodias da graça divina. Nossa Senhora dá a forma que bem quer a estes acontecimentos, e as vezes ocorre de modo bem inusitado: conheço histórias muito pitorescas de como casais de bons católicos se conheceram – e, friso, quando se encontraram pela primeira vez não sabiam nada da vida cristã – e estão casados há 20 ou 30 anos, com inúmeros filhos e criando-os de modo exemplar. Quer dizer, é difícil prever como estas coisas acontecerão, mas, como disse, se o rapaz estiver atento é certo que N. Senhora favorecerá.
Ainda há uma outra questão, que atualmente não se pode deixar de notar: a internet. Pois muitos rapazes e também muitas moças acabam se valendo deste meio paraencontrar o futuro companheiro, baseando-se tão somente nos grupos virtuais que a pessoa se vincula, aos gostos pessoais que ela diz ter, e coisas deste gênero. Na verdade, isto costuma trazer mais frustrações do que alegrias, visto que as pessoas tendem a acreditar que estão conhecendo as outras com tão escassas informações, mas isto não é assim.
Apenas para exemplificar: a dona deste blog escreve inúmeros textos sobre família e matrimônio, sobre comportamento das moças católicas, etc. Mas, em verdade, quem é Luciana Lachance? Como é diferente a impressão das pessoas que a conhecem pessoalmente depois de terem lido os textos postados aqui. Pela internet – através de textos, mensagens, e-mails, fotos – pode-se conhecer (em parte) as opiniões e a aparência de alguém, mas apenas com o contato real se conhece o jeito da pessoa: o modo como se anda, fala, gesticula, olha – o que há nesse olhar, o espelho da alma! Por vezes simpatizamos ou não com alguém à primeira vista, e não poucos “relacionamentos” de internet duram meses ou até anos, entre mensagens, vídeos, fotos… mas um só encontro real basta para pôr termo às ilusões: vê-se a realidade, e o quanto ela não corresponde às expectativas.
Faz parte da vida observar a pessoa sem ter a real certeza de que estamos sendo observados em retorno; conhecer alguém melhor antes de se sentir pronto para dizer algo; esperar o momento adequado para começar um relacionamento – pois as circunstâncias reais não dependem só da pessoa estar “online”. A internet acaba fazendo as vezes de uma sala intimista, onde mais do que o adequado acaba sendo dito: será que diríamos as mesmas coisas se estivéssemos ao vivo? E se admito que deve haver um trato decoroso entre homens e mulheres – sobretudo entre aqueles cujo amor e interesse começam a nascer – é conveniente passar horas e horas vasculhando a intimidade e o pensamento do outro? Entre as coisas que tanto favorece o relacionamento entre homens e mulheres está o mistério que se encerra em cada um, o modo como pouco a pouco vamos descobrindo mais sobre a namorada ou noiva.
Não ignoramos que realmente parece “mais fácil” se aproximar de pessoas com quem temos afinidade pela internet, visto que conseguimos rapidamente certas informações sobre elas. Mas é preciso estar vigilante para não confundir certas coisas: em matéria de matrimônio, não é tão importante o fato da moça ter lido Chesterton – ou qualquer outro autor que você considere digno de nota – quanto que ela tenha espírito de sacríficio e entenda bem sua vocação. Infelizmente o mundo moderno repartiu as amizades e relacionamentos em “tribos” que agrupam gostos pessoais, como filmes, música, livros. Havia um ditado na década de 90 que dizia: “você é aquilo de que gosta” Muitas pessoas acabam sendo tolas o suficiente para crer nisso…
A internet pode ser um meio – e assim como se conhece uma pessoa na faculdade, na igreja, através de amigos, etc., pode-se conhecer alguém pela internet. A preocupação está sobretudo nos pontos que destacamos acima – o excesso de intimidade e a própria fantasia que o meio cria em torno das pessoas. Então, é importante que antes de se comprometer em qualquer relacionamento, se tenha o contato real com a moça, converse bastante sobre a vida que ela leva, como ela encara a família, o papel da esposa, mãe e dona-de-casa, para que não se tenha surpresas desagradáveis.
Disponível em: lucianalachance.wordpress.com

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