Por Vladimir Lachance
Pois bem, agora que tratamos de como deve se portar a moça tanto quando está a procura do futuro esposo quanto no momento em que decide noivar, tratemos de como deve ser a conduta do rapaz neste período.
É preciso que esteja claro que não pretendemos encerrar toda a questão do noivado com estes artigos. Queremos trazer em linhas gerais um pouco daquilo que estudamos nos livros, aprendemos com alguns padres e vivenciamos no dia-a-dia do nosso noivado.
Quando decidir pelo matrimônio?
Antes de tudo, o rapaz deve se perguntar se é da vontade de Deus Nosso Senhor que ele siga a vocação do matrimônio, e para isto deve rezar diariamente pedindo esclarecimento sobre o estado de vida – matrimônio, sacerdócio, etc – que irá seguir. Além disso, é preciso que estude bem quais são estes estados, pois, como dizia Santo Agostinho, “não se pode amar aquilo que não se conhece”: portanto, é de suma importância o estudo a sério, pois este é um modo muito ordinário pelo qual Deus revela que vida a pessoa terá. E para isto não basta uma leitura superficial, ou somente um conhecimento por via da experiência ou de uma idéia vaga: “ah, o monge reza o dia todo… o casado vai trabalhar e cuidar da mulher e filhos…” É preciso ler bons livros sobre o tema, do ponto de vista doutrinal, e também ler muitas histórias de santos e homens virtuosos que viveram as mais diversas vocações.
Passado este momento de discernimento, em que muito se rezou e leu, se o rapaz percebe que é chamado para a vida matrimonial, deve prosseguir com a oração – pois isto nunca se interrompe - e passar para uma nova fase, que vem a ser a de avaliar se tem condições de contrair matrimônio.
Descobri a vocação: já posso casar?
Então, o nosso rapaz passa agora da fase de descoberta para a que começa a tomar resoluções. Pode ser que neste momento ele se precipite e pense que já que se decidiu a coisa pode se resolver rapidamente: “basta achar uma moça disposta e está feito!”. Não é bem assim, ainda mais porque nos nossos dias mesmo os moços precipitados não costumam pensar assim. O costumeiro no mundo hodierno é que o rapaz sinta uma paixão fulminante por alguma moça e ache que por estarsentindo algo muito intenso, isto basta para que decida casar logo. Também não é assim: a futura esposa não deve ser nem simplesmente a primeira ”disponível”, nem a primeira que faz o rapaz se sentir fora de si.
É preciso muito cuidado neste momento, pois depois de todo o esforço de longas orações e leituras, estragar uma bela vocação por uma atitude irrefletida, seria extremamente triste! Portanto, este momento exige ainda mais do rapaz, pois é aqui que ele começa a concretizar sua vocação.
Antes de mais nada o rapaz deve avaliar sua condição atual e pensar bem se não há nenhum impedimento grave para que ele dê o passo definitivo em relação à vocação. Deve ver se já está em idade permitida pela Igreja para efetuar o matrimônio, se tem condições de sustentar a família, se está bem instruído na Religião tendo clareza dos fins sagrados da vida conjugal (é imprescíndivel ao menos a leitura das partes de alguns catecismos que tratem sobre este tema): tudo isto pesa gravemente para a decisão.
Traçamos um simples esboço do que é encarar seriamente a idéia do matrimônio, e já é fácil notar que estamos lidando com uma época de muita reflexão. Mas, sempre acima da preocupação material, devemos ter os olhos postos sobre a formação religiosa. O progresso na vida espiritual é estritamente necessário para se poder suportar os golpes que certamente virão: se o rapaz se descuidou, se esqueceu da vida de oração, não estará mortificado suficientemente, e não aceitará o mínimo de contrariedade. Portanto, este é o ponto mais importante!
Num próximo texto tentarei aprofundar cada um dos pontos mencionados, sempre baseado nos ensinamentos dos padre Alvaro Negromonte, Humberto Gaspardo e Dom Tihamer Toth, assim como de outros padres que trataram do tema.
Antes do matrimônio: vida pura!
Pensando numa visão de conjunto sobre este período da vida de um jovem, não poderíamos deixar de pensar na bela virtude! Antes do matrimônio, sabendo que não tenho condições nem pretensões de casar com determinada moça, posso ter certas intimidades com ela - por exemplo, trocar cartas apaixonadas, ou mesmo namorar? Eis aqui uma questão que toca a fundo um problema da maioria dos nossos jovens. A princípio, devido ao clima reinante de imoralidade, podemos pensar que não há nada demais em que o jovem tenha “aventuras” amorosas, que conheça garotas, e vá descobrindo como é o mundo feminino, o modo como elas pensam e que se relacionam com eles. Nada mais perigoso! Vejamos o que diz o grandioso Dom Tihamer Toth sobre este assunto:
“Sabes que a tua vida familiar não poderá ser feliz, se antes do casamento a vida de solteiro não tiver sido pura. Mas daí resulta que o trato com uma moça não pode ser honesto, bom e permitido senão em idade conveniente e com fins de casamento e namorá-la com outro intuito é perniciosa diversão e leviandade que indica falta de caráter.” ( D. Tihamer Toth, O Brilho da Mocidade)
Falta de caráter!? Sim! Falta de caráter! Que fará um rapaz que não está em idade de casamento ou não tem propósito de contraí-lo com determinada moça, estabelecer uma relação de namoro com ela? Será um bom propósito, ou apenas vontade de “matar o tempo”, de “divertir-se”? E acaso alguém deve fazer isto com outra pessoa? Hoje não entendemos bem o que isto significa em termos de cultura e sociedade, mas a alma da moça ainda consegue entender de algum modo o que quer dizer ser apenas a garota com quem o rapaz passou um tempo, mas “não era nada sério”. Em outros tempos diríamos: denegriu a imagem da moça. Hoje podemos dizer: a grande maioria das pessoas não ligam mais para a imagem da moça, mas, para os que vivem da Religião, este rapaz denegriu a pureza de alma da moça. E este senso de moral, mesmo o mundo moderno não conseguiu apagar das consciências dos indivíduos.
Percebamos que não se trata somente disto - que já é coisa bastante grave -, mas do futuro ”(d)a tua vida familiar”! O rapaz já não poderá ser feliz se não tiver vivido a pureza eximiamente antes do matrimônio. Fiquemos com apenas um motivo para não nos estendermos demais sobre este ponto: frequentar o mundo feminino antes do tempo devido efemina o rapaz! Quem o diz é o mesmo Dom Tihamer Toth:
“Podes compreender desde logo o meu desejo e que o rapaz, enquanto não pode pensar seriamente no casamento, não frequente o mundo feminino. Isso o efeminaria. O seu caráter, desenvolvendo-se em semelhantes condições, perderia toda a característica de virilidade.”
É mais do que evidente que um rapaz efeminado jamais poderá ser um bom pai e chefe de família. É papel do pai manter o controle da casa, prover o sustento: ele manda. Se o rapaz se habituou a viver entre moças, namorando uma e outra, com conversas sobre frivolidades, pensando longamente nas paixões que está vivendo, é muito provável que se torne um efeminado. E deve ficar claro que efeminado não quer dizer que ele se tornará homossexual, mas terá fortes tendências para ser um rapaz mole, pouco firme, preguiçoso e languido; nos casos mais extremos, e que não são raros, o rapaz adquire hábito feminilizados. Eis aí um bom motivo para que o rapaz evite o máximo possível o contato excessivo com o mundo feminino.
Isto não quer dizer que ele deva fugir das moças, como se o simples convívio com elas fosse mal. É evidente que o rapaz pode ter amizades saudáveis com moças de sua idade, principalmente se forem pessoas da família (irmãs, primas). Mas, é preciso cuidado e resolução firme de não se deixar seduzir pelo encanto do mundo feminino, e tornar aquele belo princípio de amizade se transformar em ocasião perigosa de quebra no caráter.
Em linhas gerais: vida pura! Por toda vida!
Disponível em: lucianalachance.wordpress.com
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