Por Vladimir Lachance
Após termos tratado do momento em que o rapaz decide-se pelo matrimônio, passemos agora a analisar como ele deve comportar-se a partir disto.
Encontra-se a Noiva
Então o nosso rapaz está realmente decidido a casar-se e até já encontrou a moça! Na sua mente tudo já está quase que consumado: tem um belo ideal e está disposto a cumpri-lo.
Mas, é preciso que o jovem tenha muita calma neste momento, pois além de uma bela idéia, o matrimônio precisa ser pensado como um sacramento – portanto, que deve seguir inúmeros princípios -, também no seu aspecto prático. Isto quer dizer que o rapaz deve olhar a futura noiva como aquela com quem ele irá praticar sua fé católica plenamente e construirá uma família. E é a isto que chamamos conhecer a futura noiva.
Ela é católica? Freqüenta os sacramentos? Reza diariamente? Leva a sério a prática dos mandamentos? Procura conhecer melhor a própria religião? Tudo isto é o que deve se perguntar o rapaz antes de decidir noivar com uma moça. Claro está que não se sugere aqui que o rapaz deva descartar completamente uma pretendente pelo fato dela ainda não corresponder a todas estas graças – ele poderá ajudá-la no caminho de sua conversão, auxiliando a abertura de sua alma para a fé católica.
Contudo, se a moça resiste por muito tempo, ou mesmo demonstra abertamente contrariar tudo isto, é bastante claro que sem a conversão o matrimônio não pode acontecer. É preciso que o rapaz tenha muito cuidado para não arriscar a bela vocação em troca de um apego puramente sentimental. Explica-se: pode ser que ele se veja apaixonado ou apegado a esta moça, e se contente com pequenas migalhas (“ela foi a uma missa”; “ela já não fala mal do papa”, etc.), Isto acabará fazendo com que ele não veja as coisas claramente e procure se justificar: “quem sabe depois do casamento, convivendo diariamente comigo, me vendo rezando, indo a missa, ela muda!?”. Eis o perigo de se deixar levar pelo sentimentalismo: é preciso que o rapaz não se torne um romântico, aquele que vive puramente nos sonhos, nas fantasias. Aliás, é próprio do homem que não seja assim! Mas, devido a dificuldade de se achar uma pretendente, as pessoas costumam se apegar àquilo que verdadeiramente não têm.
Lembre-se o rapaz de que o sacramento do matrimônio é indissolúvel! E, como bem disse o pe. Humberto Gaspardo, quem “se casa entra em uma estrada de penitência, e o primeiro dia de casamento é a primeira estação da Via-Sacra”1. Portanto, o rapaz deve pensar muito bem: é possível passar a vida inteira com esta moça? E ela parece disposta a isto? Tem ela espírito de sacrifício para suportar as dificuldades cotidianas – as crises financeiras, a doença de um filho? E ainda mais: uma moça que não pratica seriamente a sua fé, pode se sacrificar assim?
Como tratar a Noiva
Sua noiva será muito bem tratada! Afinal, sendo a esposa a rainha do lar, a noiva é nobre criatura. É preciso, então, romper com certos padrões de comportamento, nos quais se observa a excessiva intimidade entre os noivos; e para que isto não fique apenas no plano abstrato, tentaremos enumerar alguns maus costumes a serem evitados. O nosso intuito é de que o rapaz procure fazer o melhor, e não apenas o mínimo para não infringir as regras da moral. Dito isto, passemos a analisar alguns casos.
Atualmente não são poucos os rapazes que sofrem de certas deficiências de caráter: ou são excessivamente românticos, procurando atrair a atenção da noiva com mimos e palavras fáceis – são os que necessitam de ‘momentos a sós’ para falar abertamente dos seus sentimentos, do quanto amam a noiva; ou então são aqueles que não dão a importância devida à moça, tratando-a como mais uma conquista – achando que suas palavras e seus atos servem apenas para prendê-la a ele.
Para evitar tanto um como outro desvio de caráter, o rapaz deve tomar a resolução de respeitar integralmente a honra de sua noiva, e isto se faz procurando a seriedade ao tratar de seus sentimentos e intenções: contribui muito para isto o convívio com a família da moça, pois de um lado evita que o rapaz só tenha um juiz (a própria moça) nos inoportunos momentos a sós, e de outro evita a falta de compromisso com aquele iniciado relacionamento. Cada qual, observando a própria realidade e as condições de convívio amigável com as respectivas famílias, poderá julgar quão intima será a proximidade com os parentes. Mas, independente do nível de virtude dos pais, é preciso que eles saibam que os filhos se relacionam.
Que alegria para a noiva saber que o moço a quer tão bem! Respeitoso, ele procura visita-la na sua casa em presença dos pais, procura locais públicos bem freqüentados para seus encontros, envolve sempre os familiares, estabelece horários, reza com ela e por ela! Um noivo assim não é fácil de encontrar.
É preciso tratá-la com todo decoro possível, embora esta, como futura esposa, lhe deva submissão. É este outro aspecto importantíssimo a ser observado: dado todo este espírito de revolta reinante nas mentalidades, é absolutamente necessário que ambos tenham consciência dos planos divinos para a família. O homem é o chefe, ele manda no lar; a esposa obedece suas ordens, embora exerça inevitável e benéfica influência no seu coração. Ora, a esposa é uma rainha, mas ela não manda, ela co-manda o lar quando o rei – o esposo – não está presente.
Pode-se argumentar: a esposa deverá ser sempre submissa ao marido, mesmo quando esta demonstrar mais inteligência, maior formação intelectual, maior dedicação à religião? Estaria ainda assim obrigada a obedecê-lo? Sim, pois tomamos como exemplo a Sagrada Família de Nazaré. Nossa Senhora foi concebida sem pecado original, Ela é perfeitíssima, portanto está acima de qualquer criatura. Mas não foi Ela submissa a São José, seu castíssimo esposo? Não lhe obedeceu, não cuidou muito bem de seu lar cumprindo suas obrigações de dona-de-casa? Quando tiveram de fugir para o deserto, foi a São José que o anjo avisou, pois cabia a ele tomar as decisões. A moça poderia objetar: “se meu esposo fosse justo como São José, seria muito fácil!”; mas ela esquece que tampouco ela é como Nossa Senhora.
Intimidades
Que tipo de intimidades poderá o rapaz ter com a noiva? Se ele pretende ser respeitoso, como descrevemos anteriormente, verá quanta discrepância há nas liberdades apregoadas pelo mundo e mesmo pelos católicos liberais. Estes últimos costumam dizer que o próprio casal será o seu ‘termômetro’, isto é, deverá se relacionar conforme a consciência acuse o mal, embora admitam que o ato sexual esteja vetado. Como nosso jovem não tem intenção de passar o tempo do noivado numa eterna corda-bamba, vacilando entre virtude e pecado, imaginamos que ele descartará esta mentalidade liberal e adotará princípios sólidos para pautar sua conduta. Observou o Santo Padre Pio XII: “Neste assunto – a pureza – não existe severidade que possa ser tida como exagerada”. O moço não quer tampouco o relativismo moral – em que certos cuidados eram extremamente necessários há 50 anos e hoje são tidos como retrógrados. Seria importante salientar: as regras da moral católica, que nos parecem muito severas nos anos 30, são imutáveis. Elas não podem ser localizadas num determinado período histórico, são verdadeiramente atemporais, pois Deus não muda: Ele nos julgará com a mesma reta justiça com que julgou São Luiz Gonzaga.
Quantos reivindicam que houve uma transformação radical na sociedade contemporânea, que já não pensamos do mesmo modo que nossos antepassados. É interessante constatar que desde que o mundo é mundo, quando um homem e uma mulher se colocam em ocasião de pecado, o mais comum é que os dois caiam juntos na imoralidade. Assim como conhecemos a história de grandes homens do nosso século que se deixaram arruinar por causa da sensualidade, conhecemos também a história de Salomão, que afundou na impureza até o ponto de adorar demônios.
Conserva tua pureza e respeita tua noiva: não queira conhecer o seu corpo através de abraços, beijos na boca e outras intimidades deste tipo. As recomendações do pe. Lodi neste aspecto são muito úteis.
Cumprimento da Palavra
O rapaz não deve se comprometer com um noivado sem antes ter certeza de sua vocação, das condições necessárias para contrair o matrimônio – e muito menos sem a certeza de assumir esta moça. Não levar isto em conta indica falta de caráter. Há uma tendência lamentável em nossos dias de se pensar que não existem grandes problemas em romper um noivado ou mesmo de iniciar namoricos com a desculpa de que é preciso “ir arriscando”. Esquecem da honra, tanto do rapaz quanto da moça: um moço honrado não deixa um rastro de relacionamentos atrás de si, comparando entre as tais com quem pôde tirar mais vantagens.
Terminam-se relacionamentos com tanta facilidade! E isto porque não há qualquer seriedade, começam a namorar desde muito cedo, não são incentivados a pensar no matrimônio, mas a curtir os momentos de prazer. A pessoa que tem honra não age desta forma: e isto diz respeito à virtude da prudência, do comedimento. O rapaz bem intencionado não dá sua palavra levianamente, não se deixa levar pelos bons momentos de amizade e impulsivamente decide pelo noivado: ele pensa muito bem, espera um tempo, avalia as conversas que teve com a moça, o seu comportamento, as possibilidades reais de um bom matrimônio, para só depois tomar alguma decisão.
O noivado não é indissolúvel, mas é como que uma obrigação de honra, salvo sérias justificativas honestas para o rompimento – em que tudo seja para a maior glória de Deus. De fato não é indissolúvel, mas é a preparação para um matrimônio indissolúvel, cabendo portanto ser o mais sólido e estável possível. Não desonre a tua noiva porque esta já não parece tão encantadora quanto nos primeiros dias de teu devaneio: isto é prova de que não suportará os longos anos de casamento. Deve romper? Não. Deve mortificar-se. Deve deixar o mundo de sonhos e fantasias e procurar conhecer a beleza real daquela moça, o mundo de virtudes que encerra no coração, a força de caráter, a vivacidade para as tarefas do dia-a-dia… É assim que se começa a adquirir a felicidade matrimonial, pois na vida em família desaparecem os motivos ilusórios que podem ter levado ao casamento (“ela é muito bonita!”, “só a presença dela já me alegra!”, “ela tem tudo a ver comigo!”), e só com o exercício das virtudes se poderá enxergar a beleza santa desta Via-Sacra!
Disponível em: lucianalachance.wordpress.com
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