por Vladimir Lachance
Hoje me incubi de uma tarefa delicada, porém extremamente importante para muitos rapazes que estão à procura de uma boa moça para casar: como escolher a pessoa certa? Como resolver aqueles obstáculos que o mundo atual tanto nos oferece, seja porque as moças não querem mais ser tratadas com decoro, seja ainda porque não entendem – e as vezes não aceitam – o que é ser esposa e mãe? Eis algumas das questões que pretendemos responder e assim ajudar aqueles que se vêem quase sem alternativas santas para a vida matrimonial.
As moças e a mentalidade moderna
Não escapa a ninguém que a sociedade atual é um caos de (des)informações, ideias e modos de vida os mais diferentes possíveis, e tudo isto entra diariamente em milhões – ou bilhões – de casas do mundo inteiro principalmente pela televisão, internet, rádio, etc. Mas, apesar deste aparente emaranhado desconexo de notícias e imagens, todos nós percebemos uma tendência unilateral de liberdade, que é a de aceitar todo modo de vida para a mulher, desde que não seja aquele proposto desde sempre pela Igreja: de aceitar a maternidade, de submeter-se alegremente ao esposo, de procurar a vida do lar. Deixa-nos muitas vezes perplexos o fato de que em poucos lugares é que se vê o igualitarismo feminista ser pregado abertamente, mas ainda assim ver que as moças em geral compraram a ideia de que ter um número reduzido de filhos trará mais conforto para a família, que trabalhar fora e não depender em tudo do marido é o mais seguro, que vestir-se e comportar-se de maneira sensual é o que de fato lhes dará prestígio e personalidade.
Sem me estender muito no assunto, há uma explicação do porque de tal unidade de ideias: existe uma tendência no mundo moderno de afastar ao máximo as pessoas da doutrina católica, e isto é muito evidente com relação às mulheres, visto que são elas o firme pilar da família. Cada moça que é arrastada por esta onda de imoralidade é na verdade mais uma família destroçada desde seu fundamento. A Igreja sempre se preocupou com a formação das moças, pois, em certo sentido, são elas que mantêm as famílias.(1)
Então, desde que a sociedade decidiu excluir a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, foram tentados todos os meios para o retorno ao paganismo. E, dentre estes meios, um dos que deu mais frutos foi a corrupção das mulheres.
Infelizmente as moças de nossa geração, assim como nós, já nascem na sociedade neo-pagã com os costumes degenarados que conhecemos, e muitas vezes nunca tiveram contato com outra coisa. Por isso, de modo geral, aceitam facilmente todos os “dogmas” modernos sobre família, sexualidade, trabalho, educação, etc.
O mundo romano quando apareceu o Cristianismo
De fato, não é exagerado comparar a situação do mundo atual com o estado em que se encontrava o mundo na época do surgimento do cristianismo, no paganismo romano. E, para nossa infelicidade, nem podemos comparar nossa civilização com o auge do paganismo, pois mesmo lá havia mais princípios e ordem: só podemos comparar-nos com o que houve de pior, que foi a decadência dos costumes em Roma.
Nas aulas de História da Civilização do professor Plinio Corrêa de Oliveira ele nos descreve sumariamente o estado em que se encontrava o mundo pagão: as matronas estavam acorrentadas ao luxo e às modas, passando o dia banhando-se em leite, pintando os cabelos de loiro, cercadas de escravas especialistas em unhas, sobrancelhas, cabelos, pele, etc. Outras escravas serviam apenas para segurar os espelhos!
“Como é inevitável, desde que a beleza seja considerada como a principal qualidade de uma pessoa, começa-se a lhe fazer o sacrifício dos mais caros afetos. As mães, para conservarem por muito tempo o viço da mocidade, tinham horror à prole numerosa. Já se conheciam então certas “facilidades” criminosas, e muito freqüentemente a mãe, apenas nascia o filho, enviava-o para longe, confiando sua educação a qualquer camponês que aceitasse o encargo mediante gorda remuneração.”(2)
As semelhanças saltam aos olhos! E como parece desesperador perceber isto! Mas, não esqueçamos do grande tesouro que Nosso Senhor nos deu: a vida da graça.
O papel da graça na transformação do mundo pagão
Humanamente falando, a situação de Roma era irreversível, e parecia que daquela civilização nada puro poderia florescer. Mas, eis que Nosso Senhor quis que dos escombros daquela corrupção moral nascesse a Civilização Cristã: e não só dos escombros, mas também de muitos dos antigos pagãos Nosso Senhor quis utilizar-se para erguer o mundo cristão.
De fato, a corrupção era como que geral, mas havia, dentre os pagãos, muitos justos. Estes, ao se depararem com a beleza da vida cristã, encontraram aquilo pelo que ansiaram a vida inteira, converteram-se e serviram de exemplos para muitos outros. E, também havia muitos que viviam má vida, mas que pela força do exemplo e integridade de princípios dos bons católicos, comoveram-se e decidiram romper com a iniquidade e aderir completamente a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Os exemplos são tantos que basta procurar na internet e em bons livros para encontrá-los: dentre os homens, Santo Agostinho é o mais famoso. Mas, quantas e quantas mulheres pagãs, as vezes justas, as vezes pecadoras, converteram-se e tornaram-se santas e pessoas piedosas!
Continua em… Diante da noiva – Parte Dois: Fazer Apostolado
Notas
(1) Mais sobre o assunto da crise do mundo moderno em: Revolução e Contra-Revolução, do prof. Plinio Corrêa de Oliveira e A Crise do Mundo Moderno, do Pe. Leonel Franca S.J.
(2) História da Civilização – A Evolução Política e dos Costumes em Roma – Prof. Plinio Corrêa de Oliviera –http://www.pliniocorreadeoliveira.info/BIO_1936_Pre_Universit%C3%A1rio_10.htm
Disponível em: lucianalachance.wordpress.com

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